segunda-feira, 27 de março de 2017

A redação de tipologia dissertativo-argumentativa: texto superficial?


Texto de Kerlly Karine P. Herênio


A redação de tipologia dissertativo-argumentativa é tratada como um texto convencional, tradicional, por ter sido extremamente difundido devido à Portaria Ministerial nº 391, ainda por ser moldado em regras. Luna (2004) diz que é uma situação em que o aluno observa um tema, e deve obrigatoriamente escrever com originalidade. Guedes (2009, p.89) observa que essa realidade teve influência ainda na década de 50, pois

o uso do termo redação intensificou-se a partir do desenvolvimentismo dos anos 1950, perpassa todo o período do chamado milagre econômico e começa a findar com a crise econômica da segunda metade dos anos 1970. Redação expressa a eficiência tecnocrática dos engenheiros, economistas, administradores, politicólogos civis e militares que foram substituindo os bacharéis no comando dos negócios, eficiência que acabou por se tornar o emblema da sociedade brasileira nesse período.

Eficiência é a palavra que culminou para o conceito do texto de tipologia dissertativo-argumentativa, contudo, o que foi proliferado ao ensino de produção de texto, tratou-se, na verdade, de uma “deficiência” e não eficiência, pois “a escola (...) valoriza a cultura das classes dominantes (...)[o comportamento do aluno] é avaliado em relação a um “modelo”, que é o comportamento das  classes dominantes (SOARES, 2000, p.15).
O dito ensino tradicional de redação nas aulas de Língua Portuguesa, que é impreterivelmente norteado pelas tipologias narrativas, descritivas e dissertativas, é discutido desde os anos 1980, conforme se observa em Lopes-Rossi (2002, p.19), a qual afirma que “as condições de produção de redação na escola são consideradas inadequadas”, pois trazem “artificialidade das situações de redação”; “descaracterização do aluno como sujeito no uso da linguagem”; “artificialidades dos temas propostos” e como consequência pouco interesse por parte dos alunos; “falta de objetivos de escrita por parte do aluno”; “falta de um real leitor”.
Bressanin (2006, p.55) diz que a redação reproduz uma situação superficial em que o discente sente a obrigação de produzir um texto sobre um assunto o qual nunca havia pensado, além disso, muitas vezes, desconsidera o destinatário de sua redação e acaba escrevendo para si mesmo. Desconsidera-se aí a funcionalidade do texto, a característica subjetiva do locutor, do interlocutor, e a relação com o mundo.
A argumentação neste tipo de tipologia apresenta apenas a tentativa de organização do autor para produzir um texto com um pensamento lógico, ter um ponto de vista e comprová-lo sob o tema que é proposto para a produção. Pilar (2002, p.162) diz que o aluno deve “comprovar sua competência discursiva”, adequando-se ao contexto da prova. Preocupando-se não apenas com a correção gramatical, mas também com o desenvolvimento do tema, léxico adequado e uma tese comprovada e sustentada.
Geraldi (1997, p.20) reflete que o processo de ensinar numa concepção tradicional de ensino é centrado na transmissão de informações, conhecimentos, atividade realizada pelo docente, e, de outro lado, o aluno, o receptáculo. Na produção escrita, esse tipo de atitude, tão comum na aula de produção textual, invoca uma argumentação baseada na artificialidade. Ao contrário, acreditamos na produção de texto “como uma devolução da palavra ao sujeito (...) e na possibilidade de recuperar na história contida e não contada, elementos indicativos do novo (...) e de retomar o vivido” (GERALDI, 1997, p.20).
Assim, o texto dissertativo-argumentativo, além de ser uma constante no ensino,  é creditado que ao final de onze anos de percurso de escolarização, o aluno se aproprie do conhecimento formal (Cf. CASTALDO e COLELLO, 2014). Contudo, não é bem o que acontece, tantos alunos ficam com medo de escrever por temerem os erros ortográficos, ou por terem dificuldade de dizer por escrito o que são aptos de dizerem oralmente (FERREIRO, 1993). Lopes-Rossi (2002, p. 20) afirma que o “texto produzido na escola (a redação) não é um texto autêntico, não existe na nossa vida social, não tem finalidade a não ser cumprir uma exigência do professor ou do programa de ensino”.
O próprio vestibular é culpado na artificialidade da produção escrita do texto dissertativo-argumentativo, pois descaracteriza o contexto em que o sujeito/aluno está inserido, não aborda uma adequada condição de produção, não inserindo o texto em um contexto social. Ao contrário, obriga o aluno a se inserir na “eficiência” de produzir um texto adequado à situação artificial/superficial apenas de uma prova.
Marinheiro e Borges (2011, p. 136) corroboram ao afirmar que “o que ocorre é apenas uma tentativa para cumprir a tarefa, de tal forma que, muitas vezes, o aluno, por não conseguir posicionar-se como autor, não consegue sustentar seu argumento”. Afirmam ainda que “quando o aluno escreve um texto não partilhado de suas histórias (...) esse texto permanece no eixo previsível, alguns motivos para isso acontecer é por o sujeito a partilhar de uma ideologia dominante que escreve conforme o senso comum”. Observa-se, portanto, o texto dissertativo-argumentativo é como um simples exercício, fora do escopo social, um texto estereotipado.
Mas o texto dissertativo-argumentativo é sempre superficial? Na escola, várias situações de produções são superficiais, pois descaracteriza o aluno como sujeito da linguagem – o discente apenas reproduz o discurso escolar, ou o que fica na memória como sendo o que a escola ou o próprio vestibular dá importância, privilegia. (Cf. LOPES-ROSSI, 2002). Superficial por que faz com que o aluno pense “eu devo usar este termo” ou “esta palavra é proibida”, etc. Além disso, muitos temas que foram utilizados não pertenciam ao contexto do aluno. Pêcheux (2008) já afirmava que muitas vezes ocorrem banalizações de conceitos e direcionamento para satisfação das urgências pedagógicas do mercado.
Hoje, já se percebe um avanço no que diz respeito a um melhor trato do texto dissertativo em sala de aula, ressaltando-se as esferas sociais e finalidades específicas do texto. Concordamos que, deve-se, pois,


considerar as condições de produção (...), apostar na equivocidade da linguagem (...), na possibilidade de sempre ter sentidos deslizantes, à deriva, opacos, uma vez que são frutos do movimento da língua na história, e não do “encaixe” de um certo conteúdo em uma forma fixa. (BRITO, 2012, p. 180).

terça-feira, 21 de março de 2017

Instruções para redação acadêmica


1.1. Como ler um texto acadêmico: 

Seja qual for a técnica de leitura adotada, é imprescindível ter como ponto de partida que toda leitura exige concentração. Nenhum texto jamais será suficientemente claro se o leitor não prestar atenção nele. 
Muitas vezes, mais de uma leitura é necessária para se alcançar uma compreensão razoável do texto. Faça anotações, grife, consulte dicionários, discuta com os colegas, pergunte-se se o que está lendo faz sentido. 
Também é importante salientar que a bibliografia secundária ou bibliografia de apoio nunca substitui a leitura da bibliografia básica. Os manuais, livros paradidáticos e de divulgação podem eventualmente ajudar a esclarecer dificuldades encontradas na interpretação dos textos indicados na bibliografia básica. Entretanto, por seu caráter introdutório, costumam abusar de informações de senso comum, quando não resultam em meras simplificações de conceitos e argumentos. Uma formação acadêmica sólida exige o enfrentamento com os textos básicos. 

1.2. Como escrever um texto acadêmico: 

A) Em qualquer texto acadêmico, seja resenha, análise, resumo, projetos (iniciação científica, mestrado, doutorado, pós-doutorado), é de primordial importância escrever de maneira clara, precisa, concisa e com bom domínio do idioma culto; 
B) O texto deve se desenvolver por meio de encadeamentos lógicos ou nexos argumentativos evidentes. Um texto prolixo, impreciso e desorganizado dificilmente prenderá a atenção do leitor e, portanto, não conseguirá convencê-lo das hipóteses defendidas e das teses sustentadas. Um texto que exige do leitor um enorme esforço de compreensão é, do ponto de vista demonstrativo, ineficaz; 
C) Convém que as frases sejam curtas e que cada uma delas contenha uma só ideia. Evite intercalações excessivas ou ordens inversas desnecessárias; 
D) Na construção dos argumentos, é preciso evitar tanto o excesso de parágrafos, em que cada frase é considerada um novo parágrafo, como a ausência de parágrafos. No texto, os parágrafos representam a articulação dos raciocínios e por isso a relação entre um parágrafo e o seguinte deve ser evidente e linear. Lembre-se que “a mudança de parágrafo toda vez que se avança na sequência do raciocínio marca o fim de uma etapa e o começo de outra” (SEVERINO, 2003, p. 85). 
E) Evite expressões coloquiais, gírias, jargões, excesso de termos técnicos, pedantismo, barbarismos, bem como expressões e raciocínios de senso comum. Tampouco aposte numa suposta erudição para impressionar o leitor. 
F) Um bom texto é gramaticalmente correto. Respeite as regras de pontuação e acentuação (em especial a crase). Atente para a concordância verbal e nominal, regência verbal e nominal. Lembre-se que nem os acentos nem a pontuação foram abolidos. Na dúvida, consulte um bom livro de gramática e os dicionários da língua portuguesa.

2. CRITÉRIOS BIBLIOGRÁFICOS 

Você não pode citar os textos consultados de qualquer maneira. Existem regras específicas para isso, embora nem todas as revistas acadêmicas se orientem pelos mesmos critérios bibliográficos. 
A seguir, encontram-se as normas adotadas para a apresentação de colaborações à Revista Brasileira de Ciências Sociais: 
Livro: SOBRENOME DO AUTOR (em caixa alta) /VÍRGULA/ seguido do nome (em caixa alta e baixa) /PONTO/ data entre parênteses /VÍRGULA/ título da  obra em itálico /PONTO/ nome do tradutor /PONTO/ nº da edição, se não for a primeira /VÍRGULA/ local da publicação /VÍRGULA/ nome da editora /PONTO. 
EXEMPLO: SACHS, Ignacy. (1986), Ecodesenvolvimento, crescer sem destruir. Tradução de Eneida Cidade Araújo. 2a edição, São Paulo, Vértice. 
Artigo: sobrenome do autor, seguido do nome e da data (como no item anterior) / “título do artigo entre aspas /PONTO/ nome do periódico em itálico /VÍRGULA/ volume do periódico /VÍRGULA/ número da edição /DOIS PONTOS/ numeração das páginas. 
EXEMPLO: REIS, Elisa. (1982), “Elites agrárias, state-building e autoritarismo”. Dados, 25, 3: 275-96. 
Coletânea: sobrenome do autor, seguido do nome e da data (como nos itens anteriores) / ‘‘título do capítulo entre aspas’’ /VÍRGULA/ in (em itálico)/ iniciais do nome, seguidas do sobrenome do(s) organizador(es) /VÍRGULA/ título da coletânea, em itálico /VÍRGULA/ local da publicação /VÍRGULA/ nome da editora /PONTO. EXEMPLO: ABRANCHES, Sérgio Henrique. (1987), “Governo, empresa estatal e política siderúrgica: 1930-1975”, in O.B. Lima & S.H. Abranches (org.), As origens da crise, São Paulo, Iuperj/Vértice. 
Teses acadêmicas: sobrenome do autor, seguido do nome e da data (como nos itens anteriores) /VÍRGULA/ título da tese em itálico /PONTO/ grau acadêmico a que se refere /VÍRGULA/ instituição em que foi apresentada /VÍRGULA/ tipo de reprodução (mimeo ou datilo) /PONTO. EXEMPLO: SGUIZZARDI, Eunice Helena. (1986), O estruturalismo de Piaget: subsídios para a determinação de um lugar comum para a Ciência e a Arquitetura. Tese de mestrado. Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, datilo.

3. REGRAS DE CITAÇÕES (SEGUNDO A ABNT): 

Existem 04 definições para citação: 
• Citação: menção, no texto, de uma informação extraída de outra fonte; 
• Citação direta: transcrição textual do autor consultado; 
• Citação indireta: transcrição livre do autor consultado;
• Citação de citação: transcrição direta ou indireta em que a consulta não tenha sido no trabalho original. 

 3.1. Regras Gerais 

A- Quando o(s) autor(es) citado(s) estiver no corpo do texto a grafia deve ser em minúsculo, e quando estiver entre parênteses deve ser em maiúsculo. 
B- Devem ser especificadas, o ano de publicação, volume, tomo ou seção, se houver e a(s) página(s). 
C- A citação de até 03 linhas acompanha o corpo do texto e se destaca com dupla aspas. Exemplos: Barbour (1971, v.21, p. 35) descreve "o estudo da morfologia dos terrenos" "Não se mova, faça de conta que está morta" (CLARAC; BONNIN, 1985, p. 72) 
D- Para as citações com mais 03 linhas, deve-se fazer um recuo de 4,0 cm na margem esquerda, diminuindo a fonte e sem as aspas. Exemplo: Devemos ser claros quanto ao fato de que toda conduta eticamente apropriada pode ser guiada por uma de duas máximas fundamentalmente e irreconciliavelmente diferentes: a conduta pode ser orientada para uma "ética das últimas finalidades", ou para uma "ética da responsabilidade". Isso não é dizer que uma ética das últimas finalidades seja idêntica à irresponsabilidade, ou que a ética de responsabilidade seja idêntica ao oportunismo sem princípios (WEBER, 1982, p.144). 
E- Para citações do mesmo autor com publicações em datas diferentes, e na mesma seqüência, deve-se separar as datas por vírgula. Exemplo: (CRUZ, 1998, 1999, 2000) 
F- Nas citações que aparecerem na sequência do texto podem ser referenciadas de maneira abreviada, em notas: 
 - apud - citado por, conforme, segundo; 
 - idem ou id - mesmo autor; 
 - ibidem ou ibid - na mesma obra; 
 - opus citatum, opere citato ou op. cit. - obra citada; 
 - passim - aqui e ali (quando foram retirados de intervalos);
 - loco citato ou loc. Cit. - no lugar citado; 
 - cf. - confira, confronte;
- sequentia ou et seq. - seguinte ou que se segue. 
Somente a expressão apud pode ser usada no decorrer do texto. 

4. HONESTIDADE INTELECTUAL

Além dessas regras que norteiam a redação acadêmica, é importante saber que a universidade preza a chamada honestidade intelectual. Entre os casos de desonestidade intelectual, o que nos interessa mais de perto diz respeito ao plágio. 
Plagiar, segundo as definições correntes , é: - apresentar palavras e ideias alheias como se fossem próprias; - usar trabalhos de outras pessoas sem fornecer os créditos; - praticar roubo literário; - apresentar como novas e originais ideias extraídas de uma fonte já existente. 
Quer seja praticado por desconhecimento ou de propósito, o plágio é moral e legalmente condenável, já que implica se apropriar do trabalho de outra pessoa e posteriormente ocultar esse fato. Para tentar evitá-lo, a seguir apresentamos brevemente alguns exemplos mais comuns dessa prática. 

4.1. Citação direta ou cópia literal de outro texto: 

o trecho plagiado é idêntico ao original. A diferença é que o trecho citado não está entre aspas. Exemplo: Texto original: “Já que normalmente aconteciam no interior dos Estados territoriais modernos, supunha-se que as discussões acerca da justiça concerniam às relações entre cidadãos, deveriam submeter-se ao debate dentro dos públicos nacionais e contemplar reparações pelos Estados nacionais.” (FRASER, Nancy (2009). “Reenquadrando a justiça em um mundo globalizado”. Lua Nova, São Paulo, 77, Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102- 64452009000200001&lng=pt&nrm=iso.)

Texto plagiado: 

Já que normalmente aconteciam no interior dos Estados territoriais modernos, supunha-se que as discussões acerca da justiça concerniam às relações entre cidadãos, deveriam submeter-se ao debate dentro dos públicos nacionais e contemplar reparações pelos Estados nacionais. 

4.2. Mistura ou intercalações de diferentes trechos de textos.

 Há casos em que o plagiador segmenta o texto original e o espalha ao longo do seu próprio texto, na tentativa de ocultar seu plágio. Há casos, ainda, em que o plagiador intercala textos de diferentes autores. Exemplo: Já que normalmente aconteciam no interior dos Estados territoriais modernos, supunha-se que as discussões acerca da justiça concerniam às relações entre cidadãos, deveriam submeter-se ao debate dentro dos públicos nacionais e contemplar reparações pelos Estados nacionais. Os debates sobre a situação atual que conduzimos hoje tornam evidente a cisão sempre maior entre os limitados espaços de ação circunscritos aos estados nacionais, de um lado, e os imperativos globais, ou seja, os imperativos econômicos que praticamente não se podem mais influenciar por meios políticos, de outro.

4.3. Paráfrase (também chamada de citação conceptual ou citação livre): 

reprodução em que não se transcrevem as próprias palavras do autor, mas, por outro lado, não se exclui o conteúdo do documento original. No entanto, nem toda paráfrase constitui plágio. É plágio quando há alteração e/ou inversão de ordem de algumas palavras ou frases, sem o reconhecimento da fonte original. A paráfrase não é plágio quando se reconhece a fonte original e são utilizadas as próprias palavras e frases. O texto original, nesse caso, serve apenas de inspiração. Se queremos dizer o que o autor argumenta com nossas próprias palavras, podemos usar os termos: conforme, segundo, de acordo etc. Exemplo de plágio (tendo como base o texto de Fraser citado acima em 4.1): Como as discussões sobre a justiça normalmente aconteciam no interior dos Estados territoriais modernos, pensava-se que elas dissessem respeito às relações entre cidadãos e, por isso, deveriam se submeter ao debate dentro das arenas nacionais, sendo as reparações proporcionadas pelos Estados nacionais.

Fonte: http://dcp.fflch.usp.br/dcp/images/DCP/pdf/graduacao/Instrucoes_para_redacao_academica.pdf

sexta-feira, 3 de março de 2017

Temas de Redação


1. Família: O seu conceito, a discussão sobre as novas formas de família, a adoção, a união e adoção por casais homossexuais, a guarda compartilhada nos casos de divórcio.
2. Água: A falta, os problemas enfrentados pela sua falta, o problema na vida da população do sudeste nos últimos anos e há cerca de um século no nordeste do país. A prova pode solicitar do estudante a discussão das políticas públicas para reverter o problema e também ao comportamento da população para evitar o gasto de água.
3. Mobilidade Urbana: Esse é um problema na maioria dos países, inclusive no Brasil, ainda mais nas grandes cidades do país. A discussão de melhorias e fornecimento de opções de transporte e ainda na melhoria para o uso de transporte alternativo (bicicletas). O tema pode pedir que o estudante trate desse problema analisando o ponto de vista de ciclistas, pedestres e motoristas, além de requerer proposta da melhoria e resolução dos conflitos.
4. Preconceito racial: Um tema bem presente na mídia e nas discussões da população. O tema ainda pode tratar da relação entre o preconceito e o esporte, onde já ocorreu alguns episódios de preconceito. O tema ainda pode discutir sobre o preconceito no cotidiano, suas causas e soluções para esse problema.
5. Campanhas: A vacinação e suas campanhas promovidas pelo Governo tem gerado grande discussão entre a população, ainda mais a vacinação contra o HPV, que é feita em meninas de até 13 anos de idade, e contra o Sarampo. O estudante deve se preparar ainda para discutir sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e programa como o Mais Médicos, que mesmo sendo um assunto passado pode vir a tona no Enem 2017.
6. Meio ambiente: É um conjunto de unidades ecológicas que funcionam como um sistema natural, e incluem toda a vegetação, animais, microorganismos, solo, rochas, atmosfera e fenômenos naturais que esta ameaçado devido a extração de petróleo e outros.
7. Redes Sociais: Seu uso, o impacto na vida das pessoas e da sociedade, a ética e a moral nas redes sociais, pode ser o tema da redação do Enem 2017, além de ser atual e presente na vida da maioria das pessoas, as redes sociais ainda desempenham papel de socialização, opinião informação e debate entre as pessoas.
8. Bullying: Uma prática bem atual, esse problema se estende em países no mundo todo, ainda mais no período escolar, onde as crianças e jovens são o principal alvo dessa prática. A redação pode vir a discutir as causas e soluções para esse problema constante e crescente na sociedade atual.
9. Tecnologia: Os avanços tecnológicos estão a cada dia crescendo, com isso muitos debates e discussões também. O assunto pode ser tema de prova da redação do Enem 2017, a discussão dos benefícios, malefícios e impactos na vida das pessoas.
10. Esportes: Com o acontecimento da Copa do Mundo, no Brasil em 2014 e as Olimpíadas em 2016, o tema dos esportes tem sido muito divulgado, além da discussão da sua importância na vida e formação das crianças, adolescentes e jovens. Com tamanho impacto e importância tem a chance de esse ser o tema de prova.
11. Ocupação: A conscientização dos jovens e adolescentes no país é cada vez maior, a atual cena de ocupação de escolas públicas têm chamado a atenção, trazendo a tona a importância do diálogo e respeito pela opinião desses jovens. O tema pode levantar questões como a importância da Educação e da participação dos estudantes nas políticas públicas para essa importante área.
12. Violência: Um tema sempre recorrente e infelizmente atual, podendo ser o tema de prova, discutindo as causas, políticas públicas e soluções possíveis para esse problema.
13. Crianças: O seu direito, a proteção, e diversas questões atuais relacionados a crianças pode ser o assunto do Enem 2017, sempre atual, cada vez mais importante e necessário.
14. Desigualdade: O Brasil ainda é um país bastante desigual, esse assunto é sempre presente e discutido pela população. O tema pode discutir as causas e possíveis soluções para sanar ou diminuir a desigualdade crescente no país.
15. Estética: A beleza e a estética são assuntos presente na mídia e redes sociais, com uma certa discussão sobre aceitação dos padrões, sendo possível verificar a valorização maior pelas pessoas e até marcas das diferenças de peso, raças e diferentes tipos de beleza e conceitos de estética, podendo ser esse o tema de redação do Enem 2017, devido a sua relevância e atualidade.
16. Sustentabilidade: Muito tem se falado sobre esse assunto, a preservação do meio ambiente através de boas práticas das pessoas e empresas se faz cada vez mais necessária. A prova pode vir a levantar questões como a coleta seletiva, a diminuição de produtos químicos e poluentes no meio ambiente entre outras questões relacionadas.
17. Aedes Aegypti: O mosquito que vem assolando o pânico na população nos últimos anos, devido a ser o agente transmissor de doenças como a dengue, zika vírus e a febre Chikungunya. A prova deve discutir as políticas públicas para evitar o problema e alternativas para diminuir ou solucionar a epidemia causada por esse mosquito.
18. Geração de energia: Esse pode ser tema de prova, devido a grande importância para todos, vindo a discutir as fontes não renováveis como petróleo, gás natural e carvão mineral, e as fontes renováveis como a energia eólica (ventos), energia solar e também energia das águas. O tema pode vir a discutir a mudança das energias não renováveis pelas renováveis, seus impactos, benefícios e mudanças causadas na vida das pessoas e do meio ambiente.
19. Redução da maioridade penal: No Brasil a maioridade penal é de 18 anos, porém a uma discussão e projeto de lei para a diminuição da idade penal vir a ser de 16 anos no país. A prova pode discutir as razões, benefícios, malefícios e causas da diminuição da idade penal no Brasil.
20. Liberdade de expressão: A mídia, as redes sociais, são sinônimos de expressão e liberdade, porém é discutido até onde é possível exercer esse direito sem ferir o outro.
Fonte: http://enem2017.biz/20-possiveis-temas-da-redacao-do-enem-2017/

quarta-feira, 1 de março de 2017

Gênero Textual

A escrita proporcionou ao homem poderosas funções na sociedade. Desde seu advento, há cerca de cinco mil anos, o texto escrito tem sido um grande fator de mediação entre as pessoas. Com o desenvolvimento dessa escritura, ocorreram outras formas de escrever e de situações que a requereram. Ao longo do tempo, o ensino da escrita preocupou-se com adequação de regras e correções textuais (Cf. Bazerman, 2011, p. 15). Hoje, ter sucesso na escrita requer a produção de muitas de suas formas e em diferentes gêneros textuais.

Tal qual a língua, os gêneros textuais fazem parte da ação comunicativa do homem. Uns mais ativos, outros, já considerados inativos, a depender das características de cada cultura, história e necessidade de comunicação. Marcuschi (2010, p. 20) ressalta que em uma comunidade oral, por exemplo, desenvolveu-se um número limitado de gêneros; contudo, após o advento da escrita, por volta do século VII a.C., os gêneros multiplicaram-se. A partir do século XV, com a cultura impressa, os gêneros expandem-se, e no século XVIII, com a industrialização, ampliaram-se mais ainda. Atualmente na dita “cultura eletrônica”, ocorre a explosão de novos gêneros, tanto na oralidade, quanto na escrita.
No Brasil, o trabalho com os gêneros foi intensificado com a publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (PCNLP), de 1º ao 4º ciclos, pelo Ministério da Educação (MEC), em 1997/1998, documentos os quais têm uma normativização e regulação para o sistema educacional. Com essa publicação, ensinar por meio de gêneros textuais tornou-se finalidade do ensino (Cf. Carvalho, 2011). Veremos ainda que os gêneros mudam e são construtos sociais, funcionais. Elencaremos a seguir vários conceitos de gêneros textuais, a fim de estabelecermos a ideia deste a ser utilizada em nosso trabalho. O conceito por muitos defendido é a definição de Bakhtin, segundo ele
A utilização da língua efetua-se em forma de enunciados (orais e escritos), concretos e únicos, que emanam dos integrantes duma ou doutra esfera da atividade humana. O enunciado reflete as condições específicas e as finalidades de cada uma dessas esferas, não só por seu conteúdo (temático) e por seu estilo verbal, ou seja, pela seleção operada nos recursos da língua – recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais - , mas também, e sobretudo, por sua construção composicional. Estes três elementos (conteúdo temático, estilo e construção composicional) fundem-se indissoluvelmente no todo do enunciado, e todos eles são marcados pela especificidade de uma esfera de comunicação. Qualquer enunciado considerado isoladamente é, claro, individual, mas cada esfera de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, sendo isso que denominamos gêneros do discurso. (BAKHTIN, 1997, p. 280)
A oralidade, ou a escrita, é resultado desses enunciados produzidos nas diversas atividades do homem. Nesse caso, os gêneros são atrelados a uma função e a uma situação específica, pois Bakhtin relata sobre “condições específicas e finalidades”. Além disso, também elenca as características do gênero textual, que são: i) conteúdo; ii) estilo verbal; iii) construção composicional; iv) situação específica da esfera comunicativa. Todas essas características são implicadas em enunciados estáveis, os quais apontam qual é o gênero. Quando Bakhtin usa o termo “estável” para caracterizar o gênero, devemos, sobretudo, pensar em que tipo de estabilidade se trata, pois esta é frugal, fugaz, visto que é “constantemente ameaçada por pontos de fuga, por forças que atuam sobre as coerções genéricas” (BRANDÃO, 2000, p. 38).
Muitas vezes, as necessidades sociais se modificam, assim também podem mudar os gêneros; outrossim, muitos gêneros se parecem com outros, possuem algumas semelhanças, são os ditos gêneros satélites, tal qual o diário reflexivo e a autobiografia, com algumas características comuns, parecidas, o que faz com que essa estabilidade seja frágil, não seja tão delimitada. Bakhtin também aborda a grande variedade de gêneros e que “cada esfera da atividade comporta uma repertório de gêneros do discurso que vai diferenciando-se a ampliando-se à medida que a própria esfera se desenvolve e fica mais complexa” (1997, p. 280). Dessa forma, os gêneros mudam de acordo com a necessidade da esfera de comunicação.
Bazerman (2011, p. 32) observa que os gêneros são o que as pessoas reconhecem, e o que acreditam que sejam, ou seja, “fatos sociais [os quais] emergem nos processos sociais em que pessoas tentam compreender umas às outras suficientemente bem para coordenar atividades e compartilhar significados com vistas a seus propósitos práticos”. Ainda afirma que os gêneros “são parte do modo como os seres humanos dão forma às atividades sociais”. Muito do que Bazerman fala está relacionado ao reconhecimento do outro e da situação, como se o sujeito identificasse o que o outro fala, o que o texto fala e encapsulasse suas características e funções.

Ao reconhecer o gênero, o sujeito identifica a situação e antecipa, por meio de projeções imaginárias, quais serão as reações do interlocutor, como uma demarcação do mundo envolvido, identificação dos símbolos, das emoções, das significações. Esse reconhecimento do gênero envolvido pode se dar por nomeação, por institucionalização etc. Esses padrões, digamos assim, estão na organização social, na interlocução letrada (Cf. Bazerman, 2011, p. 49, 51). Brandão (2000) diz que Bakhtin já abordava sobre essa antecipação, reconhecimento do gênero, como um encapsulamento do gênero, pois segundo Bakhtin (1991 apud BRANDÃO, 2000, p. 37) “quando um indivíduo fala/escreve ou ouve/lê um texto, ele antecipa ou tem uma visão do texto como um todo acabado justamente pelo conhecimento prévio do paradigma dos gêneros a que ele teve acesso nas suas relações de linguagem”.
Marcuschi (2008, p. 155) afirma que o gênero textual são os textos que se materializam em situações comunicativas recorrentes, textos que encontrados em nosso cotidiano e que “apresentam padrões sociocomunicativos característicos definidos por composições funcionais, objetivos enunciativos e estilos concretamente realizados na integração de forças históricas, sociais, institucionais e técnicas”. Ele ainda afirma que os gêneros textuais “são entidades empíricas em situações comunicativas e se expressam em designações diversas” (Idem). Assim, o gênero textual caracteriza-se como social, funcional, histórico, institucional. Marcuschi (2008) aponta que ao analisar um gênero textual, viabiliza-se analisar o texto, o discurso, a língua, visão social, pois, segundo ele, os gêneros, além de fatos sociais, caracterizam-se também como artefato cultural. Explicitamos na imagem.
Esquema 7: Gênero textual
                                                               Gênero textual
                                       texto                                                    
                                                            língua discurso     cultura  visão social
Fonte: Baseado em Marcuschi (2008, p. 149).
Trata-se de texto porque a língua e o discurso se materializam nele, por meio de um gênero textual que é constituído socialmente. Marcuschi (2008) ainda afirma que nos gêneros textuais ocorrem ações de ordem da comunicação em que as estratégias são convencionalizadas, visto que cada gênero tem um objetivo claro, um estilo, um conteúdo, uma esfera de circulação, mas a determinação desse gênero se dá pela sua função e não pela forma. Assim, não se pode tratar gênero fora do escopo real, social e nem fora das atividades humanas (Op. Cit).
Dominar um gênero, nas palavras de Marcuschi, não é dominar suas formas linguísticas, mas dominar as formas linguísticas em propósitos e em situações sociais particulares. É impossível não se comunicar por meio de textos realizados em algum gênero, pois para ele “os gêneros textuais não se caracterizam nem se definem por aspectos formais, sejam eles estruturais ou linguísticos, e sim por aspectos sociocomunicativos e funcionais” (MARCUSCHI, 2008, p. 22).
Dell’Isola (2007) ao estudar os gêneros textuais, observa que estes são práticas localizadas de forma sócio-histórica, ações “para agir sobre o mundo e dizer o mundo”, pois
por serem fenômenos históricos, profundamente vinculados à vida cultural e social; fruto do trabalho coletivo; formas de ação social; modelos comunicativos; eventos textuais, os [gêneros textuais] apresentam características comunicativas, cognitivas, institucionais e linguísticas/estruturais, cuja finalidade é predizer e interpretar ações humanas em qualquer contexto discursivo, além de ordernar e estabilizar as atividades comunicativas cotidianas” (DELL’ISOLA, 2007, p. 17).
Vimos que os gêneros são oriundos de uma sociedade, agindo sobre ela, funcionando para o discurso. O sujeito prediz, antecipa a situação, o que o outro diz, encapsula tudo, reconhecendo o gênero. Assim também Bathia (1993 apud  DELL’ISOLA, 2007, p. 17) afirma que o gênero “é um evento comunicativo reconhecível caracterizado por um conjunto de propósito(s) identificado(s) e mutuamente entendido(s) pelos membros da comunidade profissional ou acadêmica na qual regularmente ocorre”.
Bronckart (1994 apud DELL’ISOLA, 2007, p. 18) diz que “os gêneros constituem ações da linguagem que requerem do agente produtor uma série de decisões para cuja execução ele necessita ter competência”. Essas decisões são caracterizadas como escolhas a serem realizadas a partir dos gêneros que existem, ou seja, o sujeito escolhe um gênero dentre tantos outros, aquele que ele identifica como sendo o mais adequado ao contexto e à situação de interação. Em seguida, ocorre a aplicação do gênero escolhido, acrescentando-se algo ou mesmo recriando-o.
Pinto (2010, p. 55), na esteira dos estudos de Bronckart, ressalta que o texto é compreendido como um produto concreto, resultado da ação da linguagem, e, dessa forma, todo texto que pode ser observado, deve ser incluído a um tipo de gênero. Ocorre, portanto, segundo Bronckart, em “uma atividade humana implicada, [num] efeito comunicativo visado, [em um] tamanho de texto, conteúdo, entre outros”. Também Adam afirma que “os gêneros são um conjunto de textos que apresentam características sociocomunicativas definidas por conteúdo, propriedades funcionais, estilo, composição e canal” (ADAM, 1999 apud DELL’ISOLA, 2007, p. 18).
Já para Coutinho (2004 apud DELL’ISOLA, 2007, p. 21), “o gênero é aquele que condiciona a atividade enunciativa”. Coutinho fala sobre enunciado, ou melhor, sobre capacidade enunciativa, quer dizer que há relação entre texto e discurso, como um contínuo e que o gênero é condicionado por essa capacidade enunciativa. Observemos o esquema:
Esquema 8: Gênero segundo Coutinho (2004)
 


                Discurso                               Gênero                                 Texto (objeto empírico)
                   
       (objeto do dizer)
Fonte: Baseado em Coutinho (2004 apud DELL’ISOLA, 2007, p. 21).
O discurso é associado a uma prática social, institucionalizada e historicamente situada, pois a língua em sua interação não pode ser vista apenas como codificação, mas em seu plano discursivo. O texto é tratado como objeto empírico, discursivo em relação aos dizeres dos sujeitos; e na condição de gênero, como prática social, pois “entre o discurso e o texto está o gênero que aqui é visto como prática social e prática textual-discursiva. O gênero opera como a ponte entre o discurso, como uma atividade mais universal” (DELL’ISOLA, 2007, p. 21-22), além disso, o “texto é tido como uma peça empírica particularizada e configurada numa determinada composição observável” (Idem, p. 22).
Dolz & Schneuwly (2004, p. 47) afirmam que o gênero é atrelado a uma metáfora de mega-instrumento para atuar (agir) em situações de linguagem, constitutivo de uma situação. Exemplifica que o gênero romance só pode ser como tal se houver leitura e escrita de romance. Assim, o gênero atua em relação à situação de comunicação. Para os autores, os gêneros caracterizam-se como
a)       Conteúdos que são (que se tornam) dizíveis através deles;
b)       A estrutura (comunicativa) particular dos textos pertencentes ao gênero;
c)       As configurações específicas das unidades de linguagem, que são, sobretudo, traços da posição enunciativa do enunciador;
d)       Conjuntos particulares de sequências textuais e de tipos discursivos que formam sua estrutura.
Dessa maneira, em nosso trabalho, utilizaremos a noção de gênero textual atrelado às suas características e implicações sócio-históricas, em que a atividade de produção escrita tem os seguintes pressupostos:
·                escritores produzem textos com base em “modelos” constituídos socialmente, razão pela qual, de um modo geral, não temos dificuldade de produzir, por exemplo, um bilhete;
·                os modelos são abstrações de situações que participamos e do modo de nos comportarmos linguisticamente, portanto, em sua constituição, entram de forma inter-relacionada aspectos cognitivos, sociais e interacionais;
·                os modelos são constituídos e reconstituídos ao longo de nossa existência em decorrência de inúmeras práticas sociais de que participamos. (KOCH & ELIAS, 2012, p. 58)
FONTE:
HERÊNIO, KERLLY KARINE PEREIRA. ESTUDO DO REGISTRO ACADÊMICO CONVENCIONAL E DA ESCRITA REFLEXIVA: CIRCUITO CURRICULAR COMO MEDIAÇÃO SUSTENTÁVEL ATRAVÉS DE GÊNEROS NO ENSINO MÉDIO.